quarta-feira, 23 de abril de 2014
Sobre consolar...
E então uma mãe perde seu bebê, e o pai ansioso, fica em cima da esposa, dizendo: ''depois a gente faz outro, chora não, depois te dou outro''.
E a mãe me dizendo, fala pra ele não dizer isso, é meu filho que morreu, não é um vestido que ele me dá outro depois, porque esse rasgou, tira ele daqui de perto de mim, tira dona doula, tira...
E, por mais difícil que é assistir isso, me recolho por alguns instantes, como o Monge Antônio me ensinou e no momento oportuno longe da mãe, digo ao pai para não pressionar a sua esposa, para deixá-la chorar, porque o momento é sim de choro e de luto. E então, ele chora e me diz aflito, que para ele é ruim demais ela mal assim, que ele não consegue vê-la triste, que não suporta ver sua mulher chorando.
Consolar os dois, com meu coração doendo também, é uma tarefa árdua, mas que compensa, pois não sei bem como, encontrei palavras a serem ditas e os acalmei.
Texto: Solange Mazzeto
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