terça-feira, 8 de abril de 2014

Natimorto

Dia estranho, fui doular, toda entusiasmada, feliz da vida, solzinho pela manhã, tomei um belo banho de cabeça e tudo, e lá fui eu, cabelo molhado, toda de branco, jaleco cor de rosa claro na mochila, apetrechos de doulagem. Chegando lá, plantão com poucas mães, mas isso não quer dizer necessariamente que seria tranquilo, às vezes, tem parto demorado, ou problemático. E hoje teve um caso chato, parto com o bebê natimorto, de quase 6 meses de gestação. Triste ver os olhos da mãe, do pai, triste demais. Não se acha palavras para dizer. Dei um pouco de abraço, beijo na testa, carinho na mão, e disse que Deus sabia o porque, e que a dor da perda seria para sempre. Porque é isso, luto é luto, a vida toda, a gente acostuma a viver com a dor da perda, mas não é uma dor que nos abandone. Depois ainda nasceu duas Alices e o Gustavo. Vim para casa, estranha, muito estranha.
Fotografia e texto: Solange Mazzeto

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